quarta-feira, 3 de maio de 2006

Resumo rápido de um conto zen-budista moderno:

- Mestre, eu quero aprender com o senhor.
- Então não pense em macacos.
Cara sai. Passa o dia inteiro vendo macacos, pensando em macacos: verdes roxos azuis amarelos.
E ele volta. E sabem de uma coisa? Eu esqueci o final.

A luta com palavras é a coisa mais vã. Palavras não são apenas os pequenos e grandes pensamentos que saem da nossa cabeça através da boca. As palavras surgem antes mesmo que nos demos conta; surgem mesmo de um corpo soçobrado, surgem mesmo de um corpo transfigurado. Especialmente destes corpos, as palavras surgem.

Vetores poderosíssimos, as palavras. Perfuram e transpassam três gerações de mamíferos de porte médio, em média, para desconforto dos seres viventes.

Estou em um momento de crise, poderoso, insurgente; mar martelante.

Rio de Janeiro, século XIX. Chuva de verão: quente. Água escorrendo pelos bueiros, levando a merda depositada nas ruas para o grande mar da pequena baía. Mais ou menos como Florianópolis, século XXI.

Vários nomes para isso, da extensa & fecunda produção literária-psicológica. Uma que me lembrei: vórtice. Fabio Herrmann, psicanalista brasileiro.

Outro nome: chuá.

1 comentários:

Vitor disse...

Eu nem sabia que você tinha voltado a escrever no blog... estou gostando muito. Desculpe por não ter visto antes :(