sexta-feira, 23 de junho de 2006

"What the bleep" redux

Nesta quarta-feira passada aconteceu, no auditório do centro de Educação Física e Fisioterapia da UDESC, mais uma discussão/mesa-redonda sobre o filme "Quem somos nós", o mesmo que eu critiquei algumas semanas atrás, sem o ter assistido por completo.

Nesta ocasião o filme foi exibido, antes da discussão, e eu pude ter a oportunidade de assisti-lo por completo. Olha, ele é pior do que eu pensava. Qual o sentido de pior no qual me refiro aqui? Bem, juro pra vocês que estou tentando ser crítico somente com os aspectos científicos-filosóficos do filme, mas acontece que sou jovem, eventualmente fico irritado com ele como um todo.

Passei grande parte do filme chocado, literalmente, com certa manipulação de evidências - ou, pra deixar mais claro, com certa apresentação de má evidência. Isto seria manipulação do senso crítico dos espectadores, que ficam em uma situação complicada; nada é apresentado com o seu contraponto crítico, e não se pode sair no meio do filme pra verificar se os dados apresentados ali se encontram em algum lugar decente e foram escrutinizados decentemente. E isso deve ser feito, pois o filme se apresenta como uma discussão "científica" (ou pra que servem, então, aqueles intectuais/cientistas que nelem se apresentam?); se não o fosse, e se e somente se, tudo poderia ser colocado como metáforas, opiniões pessoais, divagações sobre a sina humana, uma maneira "poética" ou "diferente" de olhar as coisas.

No final das contas, portanto, eu terminei o filme me sentindo um idiota, pois nem mesmo eu conseguia mais pensar direito. Da metade em diante eu fui bombardeado com uma tal confusão de argumentos e falas que, daí em diante, me despreocupei em tentar entender (pois criticar é uma forma de entender) e simplesmente aguentava uma cena após outra. Quer dizer, uma coisa quase hipnótica.

Algum de vocês já passou por uma situação altamente incompreensível? Como, uma figura, "conversar com um esquizofrênico"? Foi mais ou menos assim, pra mim. No final, quando a mulher ficou "curada" de sua baixa-estima ou qualquer coisa que ela tivesse ou achasse que tivesse e se começa a falar de "Gahd" (a maneira como o atlante de 35.000 anos de idade... perdão, a maneira como a mulher loira que é "canal" para este guerreiro atlante fala "god") com cenas da beleza do mundo e uma música sintetizada com graves longos...

Eu já li, vi e escutei muitas obras como esta. O porquê desta, especialmente, ter me chamado tanto a atenção? Em primeiro lugar que dois amigos meus, de faculdade, os quais considero pessoas inteligentes e críticas, assistiram o filme e me indicaram fervorosamente, por ter colocado "questões novas". Tudo bem, disso eu realmente não posso duvidar. A questão é que um deles, por exemplo, é ardente nas suas críticas contra "terapias alternativas" e em livros de auto-ajuda - uma discussão valiosíssima. Mas e este filme, então? O que ele é?

Ah, relaxa, Luquinhas... é só um filme.
:D

De qualquer forma, eu pretendo escrever um texto claro e direto sobre algumas críticas, aquelas mais palpáveis. Aceito sugestões, se alguém tiver alguma, ou qualquer outra coisa pra mandar.

5 comentários:

Vitor disse...

É difícil até começar, por ser tão ruim mesmo. Você lembra de eu ter comentado esse filme contigo? A única coisa que eu ganhei com esse filme foi um insight, que foi mais pessoal do que induzido, sobre como realmente a gente se acostuma a fazer as mesmas coisas quanto mais tempo a gente passa fazendo aquilo. Meio óbvio, é verdade, mas eu nunca tinha pensado pontualmente sobre a questão...
Mas xingue mesmo, meta pau... filmes assim têm que ser MUITO melhores do que isso.

Robson disse...

Nossa, esse filme hipnotizou mesmo a galera...

Foi como eu disse no outro post em que você comentou do filme: ele foi feito para enganar pessoas que não têm informação. Eles invertem tudo, fazem as pessoas pensarem que o pensamento pode mudar a matéria. Primeiro, que nem se sabe o que é pensamento ainda... quanto mais afirmar que ele pode mudar a matéria...

A cena do casamento é uma das coisas mais ridículas que eu já vi... Assim como você, também tenho amigos que gostaram do filme. Alguns deles psicólogos, outros budistas...

Uma pena. Vou divulgar este post no meu blog. Você sabe como eu gosto de pseudociência e afins.

Eu já vi outros filmes do tipo também. Esse casua mais comoção por ter sido o mais divulgado, o mais visto e o mais comentado.

Anônimo disse...

Ainda bem que tem mais gente por aí que achou aquele filme uma droga...

Raquel disse...

Lucas querido! Gostei muito de ler sua crítica. E quero muito agradecer também. Não conheço esse filme, mas guardarei com certeza o nome para não correr o risco de perder meu tempo. Eu não sei se eu aguentaria até o final. Alguns filmes me revoltam e eu saio ou desligo. =]
Ai ai.
Saudades de você.
Vamos ter que deixar o petit gateau para semana que vem. Eu não estava legal esse finde. =/
Beijão pra você lindo!

Anônimo disse...

Desculpe galera... eu vi e gostei... faz você buscar informações, faz você pensar... aos que pretender não assistir por conta das críticas, não o façam por isso... inventem algum motivo, mas nunca o de que alguém não gostou... vejam e tirem suas conclusões...