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sexta-feira, 12 de junho de 2009

Burnout? Esqueça: o maior problema do ambiente corporativo é o boreout

[título da postagem inspirado – ou plagiado, as you like it – em/de um artigo do Times, assim como o testezinho abaixo também é de lá]

Burnout, aquela crise de estresse prolongado - que muitas vezes não parece estresse - é um luxo de gente que realmente se estalfa no trabalho e na vida. O resto se vira com o boreout, e você tem a típica vida de escritório.

O boreout é revolucionário, pois ele desafia a concepção atual de "horas de trabalho" pagas. Fulano tem um contrato de 8 horas de trabalho por dia - ou melhor, de comparecimento ao ambiente de trabalho. Se ele vai trabalhar ou não acabou virando tarefa do gerente - que nesse momento pode estar conversando com as colaboradoras sobre a relação homens e mulheres e príncipes encantados. Afinal, é tarde de sexta-feira.

Gente que enrola para fazer qualquer atividade, gente que finge fazer hora extra, ou almoçar no escritório, para parecer estar mais tempo no trabalho, e gente que fica falando no telefone com voz séria para fazer parecer que é um assunto profissional - em vez de ficar olhando para a parede, olha para o digg.com, ou fica horas planejando aquela festa do departamento.

Principalmente no trabalho de escritório é muito, mas muito mais fácil boreoutizar: as novas tecnologias facilitam horrendamente. Existem até páginas de relacionamento com uma versão discreta, pronta para ser usada na fuça de seus coworkers, e softwares que proporcionam uma saída rápida de qualquer programa em andamento, ou que proporcionam fachadas na tela do computador.

Eu, pessoalmente, detesto a história de "tantas horas". Acho uma perda de tempo. Gostaria de poder trabalhar por trabalho concluído: você tem tantas tarefas, faça a sua agenda e entregue o necessário no tempo previsto.

Como sei, contudo, que não arranjamos forma melhor de organizar o trabalho atual - principalmente o trabalho em equipe -, posso até aturar. Se não tenho o que fazer, contudo, fico nervoso, pensando no que poderia estar fazendo por aí - lendo Allende, comendo, jogando Armada 2, fazendo zazen, correndo - e a falta do que fazer é mais angustiante do que muito do que fazer.

Boreout, contudo, não é somente um funcionário matar trabalho: boreout é uma analogia de uma "síndrome" que pode ocorrer, nesta situação. A pessoa sente-se cansada e deprimida, dependendo do caso.

Eis um pequeno questionário para verificar a sua boreoutidade.
1 você faz tarefas pessoas no trabalho?
2 Você se sente desmotivado ou entediado?
3 Você finge, algumas vezes, estar ocupado?
4 Você se sente cansado e apático depois de um dia de trabalho, mesmo não tendo se estressado no escritório?
5 Você está infeliz com o seu trabalho?
6 Você acha o seu trabalho sem sentido?
7 Você poderia terminar as suas tarefas mais rápido do que você faz atualmente?
8 Você está com medo de trocar de emprego por que você pode ter um corte de salário?
9 Você manda e-mails pessoais para seus colegas durante o horário de trabalho?
10 Você tem pouco, ou nenhum, interesse em seu trabalho?
(imagine quanto da bloguice do mundo é escrita em um período de boreout...)

sábado, 6 de junho de 2009

Tédio


Nada é mais insuportável ao homem do que estar em pleno repouso, sem paixões, sem atividades, sem distrações, sem aplicações. Ele então sente seu nada, seu abandono, sua insuficiência, sua dependência, sua impotência, seu vazio. Sem se controlar ele deixa sair do fundo da sua alma o tédio, o negrume, a tristeza, o desapontamento, o rancor, o desespero.

Rien n'est si insupportable à l'homme que d'être dans un plein repos, sans passions, sans affaire, sans divertissement, sans application. Il sent alors son néant, son abandon, son insuffisance, sa dépendance, son impuissance, son vide. Incontinent il sortira du fond de son âme l'ennui, la noirceur, la tristesse, le chagrin, le dépit, le désespoir.


Quando fiquei, uma vez, a considerar as diversas agitações dos homens, e os perigos e sofrimentos a que se expõem, na corte, na guerra, onde nascem tantas brigas, paixões, empresas difíceis e frequentemente ruins, etc., eu descobri que todo o mal dos homens vem de uma só coisa, que é a de não saber ficar em repouso em um quarto.

Quand je m’y suis mis quelquefois, à considérer les diverses agitations des hommes et les périls et les peines où ils s’exposent, dans la cour, dans la guerre, d’où naissent tant de querelles, de passions, d’entreprises hardies et souvent mauvaises, etc., j’ai découvert que tout le malheur des hommes vient d’une seule chose, qui est de ne savoir pas demeurer en repos dans une chambre.