Mostrando postagens com marcador São Paulo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador São Paulo. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Fim de ano - 2008

Novidades? Sei lá.

Bem, voltei do Rô no meio de dezembro do “ano passado”. Não sabe é o que é o Rô? Apelido carinhoso. Afinal, dá-lhe carinho.

Rohatsu sesshin, sesshin de sete dias com aproximadamente 8-10 horas de zazen por dia. É uma espécie de comemoração do despertar do Buda, tradicionalmente celebrado no dia 8 de dezembro. No último dia todos ficam praticando zazen até umas 3 da manhã. No último dia – depois de ter ameaçado ir embora desde o primeiro – eu saí antes, umas seis da tarde. Aqui vai um preview do trabalho do Bruno Mitih - a quem agradeço extensivamente a hospitalidade, ele e Kênia - no qual sou um coadjuvante pego de surpresa, no Rô do ano retrasado - já!

Trouxe comigo suzuri, fude e sumi – em barrinha, um quitizinho básico para brincar com os traços japoneses. Até agora a tinta e o suzuri não foram usados: testei o pincel com nanquim escolar, descobrindo que é fantástico, até mesmo para alguém que não sabe o que “fazer” com ele. Os nossos pincéis de pintura deixam a desejar, no desenho de traços.

Hoje de noite bateu a vontade de ralar um pouco de tinta e ver a textura. Mas não tenho pressa.

Depois da minha análise proto-acadêmica de Dogen – eu me animo, é a minha natureza intelectual, não tem jeito – recebo a visita de Will, que passa uma semana por aqui. Semana de excessos leves, obviamente, como somente sói a Will trazer. Um natal cheio de comida, e um ano-novo não tão frissonante assim. Eu sempre dizia que o ano-novo era a festa – a única festa civil – que tinha verdadeira importância para mim, e este ano me pareceu um tanto quanto esquisita – tirando os fogos, que sempre adoro.

A minha única resolução de fim de ano foi a de tirar, de uma vez por todas, os meus dois sisos esquerdos; a arcada de cima está visivelmente sendo arrastada para o lado direito, e sinto tensão nos maxilares. Como tenho bruxismo...

Uma deliciosa semana em que fui na praia praticamente todos os dias possíveis. A outra resolução – uma resolução que decidi deixar em aberto, para o caso de precisar dela mais tarde – foi a de ir na praia umas duas vezes por semana, durante o máximo de tempo que o tempo possa permitir. O que quer dizer até abril, ou menos. Sou um cara de constituição fina, como um magro cachorro sarnento, e qualquer corrente de água geladas que vem lavar as praias do sul da Ilha me deixa azul como uma anêmona – como descobri no Matadeiro dias atrás, depois que fiquei horas a fio enredado e dissolvido no mar gelado.

Saldo do ano? Bem, falei disto em outros lugares, mas pode ser resumido em mortes, decepções, sustos, fraquezas, e uma pitada crescente de hipocondria. E outras tantas coisas, mas esta é a parte mais trágica, e todos sabemos que é a parte que vende mais. Ninguém quer saber sobre a água que corre nas pedras da Armação – embora Will creia que sim, e acha que alguém, ou eu ou ele, tem de virar o Jorge Amado desta ilhota aqui.

As partes boas guardo para mim e aqueles que as compartilharam comigo.

Um grande abraço, e feliz ano novo!

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Cadê marido?

Festival Xintoísta da Fertilidade, Kanamura, Japão

(Contextualização necessária: andávamos eu, Will e Jão pela Liberdade/Sampa, procurando por mochis de rua, que todos sabem que são os mais gostosos. Encontramos esta mulher, numa barraquinha improvisada com um carro, que não sabia falar muito bem português. Ela simplesmente apontava e dizia o preço para qualquer pergunta feita; quando a pergunta se estendeu por mais de cinco palavras - provavelmente Will maquinando alguma pauta nova - ela olhou para o lado e disse: "cadê marido?")